sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Alguns Exemplos de Narrativas

João Cap 8
1 JESUS, porém, foi para o Monte das Oliveiras. 2 E pela manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava. 3 E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; 4 E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. 5 E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? 6 Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. 7 E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. 8 E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. 9 Quando ouviram isto, redargüidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio. 10 E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? 11 E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.

Bola De Sebo (Boule de Suif)
(Guy de Maupassant)
Durante a guerra de 1870, prussianos ocupam a França, por isso, numerosos
habitantes decidem então fugir da ocupação e da necessidade
de alojar, na sua casa, os inimigos germânicos.
No conto de Maupassant pode-se reconstituir uma destas várias fugas, na qual alguns protagonistas vão compartilhar o mesmo caleche durante alguns dias.
Da cidade de Ruan, um grupo de habitantes resolve partir para o porto de Havre,três casais burgueses, dois religiosos e uma jovem e gorda cortesã vão ser forçados a viver juntos, apesar das suas diferenças sociais, culturais e éticas. Esta história é ao mesmo tempo cômica sob certo ângulo, mas ao final, torna-se profundamente trágica, porque se assiste ao longo de toda narrativa a generosidade e a devoção de Bola de Sebo a cortesã, e o egoísmo e o orgulho dos outros.
Após alguns dias de viagem, Bola de Sebo não hesita em compartilhar a sua refeição com os burgueses que inicialmente negam o que lhes é oferecido, sem dirigir a palavra a ela, mas num dado momento, acaba por ceder.
Posteriormente, após uma parada em Tótes o grupo se vê forçado a permanecer na cidade devido a uma ordem de um oficial prussiano. O ambiente
transforma-se em um espaço claustrofóbico, quando o grupo descobre que a única saída do grupo seria se a Cortesã passasse uma noite com o oficial. Os burgueses se rasgam em suplicas à Bola de Sebo, que se mostra irredutível, visto que nacionalista, entretanto, acaba por ceder aos pedidos dos companheiros de viagem, que lhe prometem a gratidão eterna e o reconhecimento que merecia.
Ela acaba por passar a noite com o oficial, que posteriormente cumpre o que havia prometido, e os deixa partir. No momento em que se vêem a salvo, eles começam a maltratá-la, pior do que antes faziam. E ela não tem outra solução que não chorar em silencio e agüentar a humilhação.
Dessa maneira, coroando um dos momentos mais fortes da literatura do século XIX, a ingratidão humana, a crueldade nua e crua e o status quo que marca a sociedade excludente em que vivemos.


Geni E O Zepelin

Chico Buarque
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir


Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni


Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni


Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Boa Leitura

Um grande Abraço

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